quarta-feira, 28 de novembro de 2007

FRESTA

Gosto dessas noites frias de céu limpo.

Elas me causam um efeito interessante: me deprimem e ao mesmo tempo, me direcionam para algo maior.

As estrelas, bem mais brilhantes que o habitual, parecem rir: “Estamos aqui, mas você não pode nos pegar!”....idiotas.

Como se estivesse preso numa solitária há vários dias imerso na escuridão e por algum singular motivo, uma pequena fresta na parede abre-se o suficiente pra lembrar que existe algo mais lá fora do que num cubículo pequeno e insalubre. Que existe vida acontecendo além e que o espaço restrito é uma realidade medíocre e digna de pena. Contudo, alguém percebe que essa fresta e a cerra novamente...e a escuridão, o aperto e os odores pútridos tornam a compor a atual realidade vigente.

Assim são essas noites frias...me lembram da minha condição nesse mundo. Não que seja diferente ou mais sofrida do que outro ser humano, mas é como simplesmente me sinto.

Isso me faz pensar como são as coisas lá fora...fora deste mundo.

Ao olhar para esse céu frio, limpo e estrelado vejo uma grande fresta para algo muito maior. Ela me conscientiza do quanto pequeno e medíocre é a nossa condição humana. Tantas preocupações, planos, metas, orgulhos, pompas...tanta ninharia baseada em egocentrismo...

E o mais ridículo disso...é que tentamos compreender e nomear uma realidade tão indescritivelmente acima baseando-se nesta limitada realidade em que vivemos.

Patético.

Somos animaizinhos irracionais..crianças mal aprendendo a falar.

Este mundo não é dos piores, mas estou cansado dele.

Deve haver outros onde conceitos extraordinários sintetizam realidades funcionais sem tanta tortura, sem tanta dor. Onde os sonhos fluem e concretizam-se espontaneamente, onde coisas maravilhosas simples acontecem e são uma constante...onde são valorizadas em toda a sua concepção.

Apesar desse céu mais limpo me fazerem me lembrar da condição de um condenado cumprindo pena, ainda sinto uma esperança que lá fora há coisas bem melhores, plenas...e que valem a pena tentar alcançá-las.

Estou cansado dessa condição de caipira do planeta terra, deste medíocre jardim da infância, expandir e poder conhecer os sons intraduzíveis, cores e tons inimagináveis a nível extra-sensorial, energias arrebatadoras e sutis.

Ver o incompreensível...é..eu sei que não entenderia nada..nada mesmo..mas queria poder sentir esse algo mais..nem q eu me limitasse apenas a me expressar chorando...

E com isso me acentuasse a sensação que faço parte desse algo mais...

Alguns saem pra beber pra esquecer da atual condição... eu fico somente vendo o céu nesses dias de frio.

5 comentários:

  1. Pablo Iaijutsu Oyarzún29 de novembro de 2007 06:46

    EEEEEEEEPA
    EEEEEEEEPA
    medíocre jardim de infancia, não!!!
    Planeta TERRA.
    os sons intraduzíveis e as cores inimagináveis já estão aí! É vc quem não consegue ver! Vc sonha com realidades funcionais sem tanta dor e tanta tortura, mas não a cria!!! CRIAR é a palavra de ordem.

    abraço

    ps:não me odeie por esse comentário

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  2. Cada qual busca a realidade que quer ver e almeja, meu caro.

    Eu busco a minha.


    Abs.

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  3. Fazemos parte, como eu disse, só por existir. E se não mergulharmos nessa lama, nunca chegaremos lá.

    Entendo que pode ser frustrante.... Mas enquanto nao aprendermos aqui, não mereceremos estar la...


    te amo

    my

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  4. Odiar? Não meu caro...longe disso.

    Não sou o dono da verdade nem nada.

    Estou aqui para aprender e melhorar para que um dia eu possa ser merecedor de algo maior.

    Abraços

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  5. Bixo, perfeito o texto!!
    vi muito de mim nele!!! e se me permite copiei uma parte.

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